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Globo e você, nada a ver

28/10/2008 10:41:22

                                          Globo e você, nada a ver 

Passar o domingo em casa vendo televisão é fogo. Pra começo de conversa, a programação dominical dos canais abertos, se não for trágica é, no mínimo, cômica.Semana passada resolvi experimentar a sensação de ter apenas a TV como lazer e sintonizei a Rede Globo de Televisão.
Acordei cedo e apertei o botão “ON” do aparelho que supostamente me levaria a um mundo cheio de utilidades, informações, serviços sociais, jornalismo sério, entretenimento consciente e que poderia tornar o meu domingo produtivo.
O primeiro programa que vi foi o Globo Rural. Pensei o quanto é engraçado a discrepância que há na realização dele, pois é inadmissível que uma emissora “padrão” faça um programa rural que não tem nenhum foco no suposto público – alvo. Afinal, a maior parte dos agricultores não conhece a linguagem técnica que é empregada, desta maneira não consegue estabelecer uma comunicação completa e não ajuda em nada o verdadeiro homem do campo.
Em seguida começou Auto Esporte, um programa que ostenta motores potentes e mostra carros importados ou antigos que chegam a valer até 500 vezes mais que o salário mínimo vigente no Brasil. Diante disso, me perguntei: como é que se sente um trabalhador assalariado que está assistindo, assim como eu, a tanto glamour e luxo destinado a um a minoria, enquanto ele não tem condições de comprar nem ao menos uma bicicleta?
Depois dessa dose de hipocrisia que durou uma hora, ainda mantive minhas esperanças de que a mensagem da vinheta “ Globo e você, tudo a ver” se encaixaria em algum programa e por isso prossegui assistindo. Começou o Esporte Espetacular, até que enfim um programa destinado ao brasileiro comum, pois pelo menos futebol está ao alcance de todos. Neste, consegui enxergar alguma forma maior de inclusão, pois o esporte é mais acessível ao cidadão do que uma Ferrari.
Após os minutos de fascínio exercidos pelo esporte, me deparei com um programa feito para fazer graça, mas que não tem graça alguma: Turma do Didi.O elenco é composto pelo jurássico Renato Aragão, Jacaré e todos os ex-Big Brothers que ainda estão cumprindo os seus 6 meses de contrato com a Globo e precisam aparecer a qualquer custo. As piadas já não lembram, nem de longe, o animado tempo de “Os Trapalhões.
Dei uma parada para o almoço e depois voltei a assistir, afinal estava decidida a achar algo que acrescentasse algum conhecimento para mim.Achei que a coisa ia esquentar, pois ia começar Temperatura Máxima, mas dei de cara com um filme de ação que já fazia, no mínimo, três anos que já havia assistido. Desestimulei-me mais uma vez, mas não perdi a esperança.
Frustrada com o filme obsoleto, me animei ao ver que em minutos iria ao ar o Domingão do Faustão. Recheado de atores das novelas da Globo,vídeos cacetadas repetidas, dançarinas minusculamente vestidas e de cantores de um sucesso só, muitas vezes filhos de algum artista ou empresário, e nenhuma informação relevante.O apresentador, com sua mania peculiar de interromper a fala de todos os convidados, desta vez sofre a interrupção do seu programa para a transmissão do futebol.
Depois de duas horas do fanatismo que envolve o futebol, Faustão está de volta ao ar. Nada diferente da primeira aparição, exceto os atores convidados que agora são do seriado Malhação, assim nós telespectadores continuamos assistindo a auto promoção da Globo e de suas produções.
Totalmente esgotada por ter perdido tempo assistindo tantos programas fúteis, apostei todas as minhas fichas no Fantástico. Não me decepcionei. Até que enfim um programa bem informativo, útil e com temas que fomentam uma visão mais crítica na sociedade,mas ainda pode ser melhor.
Ao apertar o “OFF”, às 23 horas, concluí que a imagem que surgiu na tela da minha TV, sintonizada na Rede Globo, foi um “padrão” que visa meramente o lucro e que se isenta totalmente do papel social inerente a todos os meios de comunicação. O certo é que se não houver uma maior politização na programação, pouco poderemos esperar dessa nação onde o herói é a televisão. Mudança já! Plim-Plim.
Laiany Brizolara
                                        

 CONTEÚDO WEB


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